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Novo planeta anão descoberto em nosso Sistema Solar

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Diagrama que mostra as órbitas do recém-descoberto planeta anão 2014 UZ224, juntamente com as atuais posições de Urano, Netuno e Plutão. O ponto indica a posição atual de 2014 UZ224 em sua órbita. Crédito da imagem: JPL Horizons, Sky and TelescopeDiagrama que mostra as órbitas do recém-descoberto planeta anão 2014 UZ224, juntamente com as atuais posições de Urano, Netuno e Plutão. O ponto indica a posição atual de 2014 UZ224 em sua órbita. Crédito da imagem: JPL Horizons, Sky and TelescopeAnn Arbor—Astrônomos da Universidade de Michigan descobriram um novo planeta anão, que está 90 vezes mais longe do Sol que a Terra, se tornando o segundo objeto mais distante do seu tipo conhecido no sistema solar.

Os pesquisadores dizem que a descoberta do minúsculo e distante corpo celeste mostra que a técnica pode ser uma abordagem promissora para encontrar o Planeta Nove ou Planet Nine, um corpo maciço que provavelmente resida cerca de 600 vezes mais longe do Sol que a Terra. A existência do Planeta Nove explicaria as órbitas alongadas, alinhadas a um grupo de planetas menores distantes semelhantes, mas não incluindo, este recém descoberto.

A equipe da U-M, que incluiu alunos de graduação, apresentou observações do objeto ao Minor Planet Center, uma organização internacional que designa e controla planetas menores, cometas e luas. O centro o deu uma designação - 2014 QZ224 - mas se sua órbita continuar a ser refinada por mais alguns anos, aí sim, os pesquisadores podem nomeá-lo. Enquanto isso, eles o apelidaram de DeeDee, abreviação para anão distante.

Neste ponto da sua órbita, DeeDee está a 13,6 bilhões de quilômetros de distância do Sol. Apenas o planeta anão Éris, do tamanho de Plutão, está atualmente mais distante, embora outros planetas menores com órbitas descentralizados passam a maior parte do seu tempo ainda mais distante. Em DeeDee, o sol seria parecido com uma estrela muito brilhante.

Os pesquisadores obtiveram a imagem do planeta-anão do telescópio Atacama Large milímetros/submillimeter Array (ALMA), que está no Chile, mas eles ainda estão o analisando para determinar o tamanho e do que ele é feito.

Mesmo com um instrumento poderoso como DECAM, menores planetas distantes parecem com pontos.

"DeeDee tem contornos indefinidos", disse David Gerdes, professor de física e astronomia da Faculdade de Literatura, Ciência e as Artes da U-M, que liderou a descoberta. "Ele tem o brilho de uma vela que está cerca de 161.000 km de distância. Mas para mim, é surpreendente que ele emita calor suficiente para que você possa detectá-lo da Terra a partir de uma montanha no Chile."

Para encontrar o planeta-anão, os pesquisadores usaram dados da Dark Energy Survey, uma cooperativa internacional para determinar por que a expansão do universo está se acelerando. Gerdes está envolvido na pesquisa, que fornece imagens de cerca de um oitavo do céu. Astrônomos vasculham as imagens de galáxias distantes e de supernovas, de estrelas em explosão que podem ser vistas a bilhões de anos luz de distância.

Gerdes também usa essas imagens com outros objetivos. "Em vez de olharmos para as coisas que aparecem em um lugar e depois desaparecem, nós olhamos para as coisas que se movem, e tentamos conectar pontos em uma órbita", disse ele.

Eles não 'olham' com os 'olhos'. As imagens estão tão cobertas de estrelas que é simplesmente impossível notar se um ponto determinado se moveu. Eles criaram um código de computador que faz isso para eles. Esse código identificou DeeDee neste verão americano.

"Estou muito grato por ter tido a oportunidade de trabalhar com o Professor Gerdes e contribuir para este projeto", disse Tali Khain, estudante do segundo ano em Física e Matemática cujo trabalho para este projecto envolve a análise do comportamento a longo prazo de planetas menores além de Netuno. "É extremamente emocionante!"

Ainda mais emocionante seria identificar o evasivo Planet Nine. Sua existência foi sugerida pela primeira vez em 2014 como uma forma de explicar a órbita fora de forma do planeta anão Sedna, que atravessa o plano do sistema solar, mas oscila muito distante dele. Mais objetos com órbitas similares foram descobertos desde então.

"A combinação e a profundidade da nossa pesquisa na área nos coloca em uma posição excelente para encontrar o Planet Nine, se ele estiver em algum lugar distante, lá fora", disse Gerdes. "E a descoberta de DeeDee é um sinal promissor da nossa capacidade de encontrar novos objetos muito distantes."

Mas por conta própria, a nova descoberta nos diz um pouco mais sobre de onde viemos.

"Todos os corpos que compõem nosso sistema solar vieram da mesma nuvem de gás e poeira que começou a colapsar mais de 4 bilhões de anos atrás", disse Stephanie Hamilton, um estudante de doutorado em Física, que também está envolvida na descoberta. "Os menores corpos no sistema solar são aqueles que preservam sua história. Eles têm sofrido seguidos impactos através de interações com planetas maiores. Estudando muitos deles podemos tentar aprender o que aconteceu."

Imagens e fatos