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Invasores biológicos ameaçam a biodiversidade, a economia nos países em desenvolvimento

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ANN ARBOR- A invasão de plantas, de animais e micróbios patogênicos estrangeiros poderão colocar em perigo as economias e os meios de vida de residentes em alguns dos países mais pobres do mundo, de acordo com um estudo realizado por uma equipe internacional de pesquisadores da Universidade de Michigan.

Um sexto da área terrestre do mundo está altamente vulnerável a espécies invasoras, incluindo áreas substanciais nos países em desenvolvimento e focos de biodiversidade, segundo um estudo publicado na Nature Communications.

"Nos próximos anos, os impactos negativos associados à introdução de espécies nocivas serão provavelmente exacerbados por outros fatores de estresse global, como as alterações climáticas, a degradação ambiental e a poluição", disse a coautora do estudo Inés Ibáñez, professora associada da Escola de Recursos Naturais e Meio Ambiente da Universidade de Michigan. "Os países desenvolvidos, e especialmente, os em desenvolvimento podem não ter a infraestrutura operacional para prevenir e lidar com introduções prejudiciais."

Os danos causados ​​por espécies não nativas ameaçam a biodiversidade global e as economias globais e custam cerca de US $ 1,4 bilhões anuais ao transmitir doenças, sufocar sistemas fluviais e poços, evitar que o gado paste, e competir por comida ou se alimentar por espécies nativas.

Muitas vezes, isso é visto como um problema nos países de primeiro mundo. O novo estudo mostra que as invasões também ameaçam os últimos redutos de biodiversidade das economias mais frágeis.

A crescente globalização, especialmente a importação de animais e plantas, causaram muitas das invasões biológicas no passado. No futuro, o transporte aéreo será responsável por invasões biológicas da África e Ásia. Esta situação é agravada pelas mudanças climáticas e a intensificação da agricultura, o que torna mais fácil o estabelecimento de espécies invasoras, de acordo com os autores do estudo.

As nações mais ricas estão acostumadas ao desconforto das espécies exóticas invasoras e, cada vez mais, tomam medidas de proteção. O estudo descreve como as economias mais pobres dependem crucialmente do comércio internacional e têm pouco poder para regular a importação, de modo que a introdução de espécies altamente perigosas continua sem controle.

A equipe de investigação avaliou a ameaça das espécies invasoras do século 21 e descobriu que muitos países em desenvolvimento não têm recursos ou planos necessários para responder adequadamente. Os pesquisadores esperam que suas descobertas possam fazer com que os governos e as organizações não governamentais melhorem os sistemas de alerta das comunidades sobre a ameaça de invasões biológicas e possam fornecer soluções.

"A globalização desenfreada vai provocar invasões em países menos capazes de lidar com elas", disse Regan Early, da Universidade de Exeter. "Precisamos de mais cooperação internacional e que os EUA, a Austrália e os países da Europa compartilhem suas experiências."

Os pesquisadores coletaram informações sobre o comércio, particularmente de plantas, de animais e as viagens aéreas, e os compararam com os dados de alterações climáticas, fauna e agricultura para esboçar onde as invasões são mais prováveis de serem identificada.

Até agora, as invasões biológicas no mundo em desenvolvimento incluem a doença do Panamá que dizimou plantações de banana na América do Sul e na Central, e a da pera espinhosa, que devastou pastagens na África, levando o gado à desnutrição fazendo com que as pessoas perdessem seus meios de subsistência. Atualmente, uma nova linhagem da doença do Panamá ameaça o mercado mundial.

O artigo da Nature Communications é intitulado "Global threats from invasive species in the 21st century and national response capacities" ou "Ameaças globais de espécies invasoras no século 21 e as capacidades de resposta nacional".

Inés Ibáñez